sexta-feira, 15 de julho de 2011
Early diagenesis of ungulate crania in temperate environments:experimentation protocol
terça-feira, 12 de julho de 2011
Experimentação com uma haste de veado (Cervus elaphus) e lascas em quartzito
Imagem 2: Actividade experimental de lascamento.
A acção realizou-se, na totalidade dos casos, relacionada com um movimento bidirecional e com um ângulo de contacto com o material trabalhado de cerca 80-90° (Imagem 3).
Foram fotografados os gumes utilizados a cada cinco minutos, com o objectivo de se obter um controle do processo de modificação dos mesmos durante a actividade e para que pudéssemos dispor, então, de uma noção a posteriori da modificação macroscópica (Imagens 4-5).
Imagem 4: Uma das lascas (ss_2) utilizada no trabalho experimental (exemplo da modificação do gume direito). Nota-se na última fotografia que o gume foi retocado.
Imagem 5: Lasca ss_4: modificação do gume distal.

Imagem 6: Lascas ss_1 e ss_5, antes e depois da utilização.
Na Imagem 6, nota-se um micro-lascamento muito visível em relação ao gume direito proximal da lasca ss_1 e o gume direito distal da lasca cortical ss_5. Nestes casos, os ângulos de partida eram respectivamente de 28 e 30°. Os micro-lascamentos inicias levaram às modificações na morfologia dos gumes, até a uma regularização obtida por um arredondamento dos mesmos de modo que não puderam ser considerados mais funcionais.

Como já foi dito antes, a haste foi trabalhada, também, após ter sido humedecida em água durante 107 horas, com a finalidade de que pudéssemos perceber as possíveis diferenças em relação à condição normal (seco) de trabalho.
Quatro lascas entraram em contacto com a haste humedecida (para efectuar os últimos três cortes, 3,4,5 Imagem 8), controlando-se o tempo relacionado à execução do trabalho e tendo-se verificado uma significativa diminuição do tempo necessário para a realização dos cortes pretendidos (Tab. 1).

| PORÇÃO DA HASTE | ESTADO | LARGURA cm | TEMPO min |
| PUNTA N. 1 | Seco | 1,5 | 90 |
| PUNTA N. 2 | Seco | 3,6 | 180 |
| TAGLIO N. 3 | Molhado | 2,3 | 95 |
| PUNTA N. 4 | Molhado | 1 | 35 |
| PUNTA N. 5 | Molhado | 1,8 | 20 |
Tab. 1: Corte efectuado (ver a Imagem 5), estado da haste, largura da extremidade cortada e tempo necessário para terminar o trabalho.
Tendo em conta a largura das porções que foram extraídas e o relativo estado da haste, tornou-se clara a efectiva vantagem em trabalhar esta em seu estado húmido.
Discussão
A actividade aqui descrita visou, principalmente, à ampliação da colecção de referência de lascas experimentais do Laboratório de Quaternário e Indústrias Líticas. A vantagem de terem sido obtidos gumes que foram utilizados em tempos diferentes (de 10 minutos até 110 minutos) encontra-se no fato de que futuramente será possível analisar microscopicamente a formação dos traços de uso no trabalho com matérias duras animais (haste) nas lascas em quartzito.
Além disso, uma possível ampliação deste trabalho será constituída pela repetição da mesma actividade utilizando diferentes matérias primas (sílex e quartzo) e pela comparação dos traços de utilização que irão se formar.
ANTONELLA PEDERGNANA
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Um site a revisitar
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Experimentação sobre Alterações pós-deposicionais em contextos fluviais
Estes processos são tanto mais importantes quando tentamos uma análise minuciosa da alteração das margens das peças. Nesse momento e quando estas não correspondem aos retoques cuja descrição e morfologia está bem convencionada (porventura demais e em desadequação com indústrias de outras matérias primas que não o sílex, mas isso é outra discussão), há toda uma série de questões que se colocam e vários caminhos e metodologias para intentar respostas. Alguns passam pela arqueologia experimental, não só pela manufactura e utilização de artefactos semelhantes, mas também pela tentativa de reproduzir em laboratório ou em ambiente fluvial actual aas diferentes acções, e respectivas consequências, implicadas no transporte, deposição e erosão fluvial.
Para quem está interessado aqui fica uma lista de bibliografia ( a negrito está o que não tenho, se alguém tiver agradeço):
Chambers, J.C., 2003. Like a rolling stone? the identification of fluvial transportation damage signatures on secondary context bifaces. Lithics 24, 66–77.
Grosman, L., Sharon, G, Talia Goldman-Neuman, T., Oded Smikt, O., Smilansky, U. (2011) Studying post depositional damage on Acheulian bifaces using 3-D scanning, Journal of Human Evolution, Volume: 60, Issue: 4, Publisher: Elsevier Ltd, Pages: 398-406
Hosfield, R.T. & Chambers, J.C. 2002. Processes and Experiences — Experimental Archaeology on a River Floodplain. In M.G. Macklin, P.A. Brewer & T.J. Coulthard (eds.) River Systems and Environmental Change in Wales: Field Guide: 32–39. Aberystwyth: British Geomorphological Research Group.
Hosfield, R.T. and Chambers, J.C. (2005) River gravels and flakes: new experiments in site formation, stone tool transportation and transformation. In: Fansa, M. (ed.) Experimentelle Archäologie in Europa, Bilanz 2004. Isensee Verlag, Oldenburg, pp. 57-74.
Hosfield, R.T. & Chambers, J.C. 2004. Experimental Archaeology on the Afon Ystwyth, Wales, UK. Antiquity 78
Hosfield, R.T The Afon Ystwyth Experiment Archaeology Project, http://www.personal.rdg.ac.uk/~sgs04rh/AfonYstwyth/Home.htm, Publicação em linha consultada no dia 6 de Julho de 2011
Hosfield, R.T., Chambers, J.C., 2003. Flake modifications during fluvial transportation: three cautionary tales. Lithics 24, 57–65.
Hosfield, R.T., Chambers, J.C., Macklin, M.G., Brewer, P., Sear, D., 2000. Interpreting secondary context sites: a role for experimental archaeology. Lithics 21, 29–35.
Isaac, G.L. 1989. Towards the interpretation of occupation debris: some experiments and observations. In: B. Isaac (ed.), The Archaeology of Human Origins: Papers by Glynn Isaac. Cambridge: Cambridge University Press. pp 191- 205.
Lewin, J., Brewre, P.A., 2002. Laboratory simulation of clast abrasion. Earth Surf. Proc. Land 27, 145–164.
Peacock, E., 1991. Distinguishing between Artifacts and Geofacts: a test case from eastern England. J. Field Archaeol. 18, 345–361.
PETRAGLIA, M.D.; NASH, D.T. (1987); The impact of fluvial processes on experimental sites. Natural Formation Processes and the Archaeological Record. (D.T. Nash y M.D. Petraglia, eds.). BAR International Series 352, 108-130.
ScHiCK, K.D. (1984): Processes of Palaeoiithic Site Formation: Na Experimental Study. Tesis doctoral, University of California, Berkeley, Ann Harbor, University Microfilms International.
ScHicK, K.D. (1987): Experimentally-derived entena for assesing hydrologic disturbance of archaeological sites. Natural Formation Processes and the Arcaheological Record. (D.T. Nash y M.D. Petraglia, eds.). BAR International Series 352, 86-107.
de la Torre, I (2001) El impacto de los procesos fluviales en la formación de los yacimientos arqueológicos pleistocenos al aire libre: pautas de análisis experimental. Espacio, Tiempo y Forma, Serie I , 14 13 – 45
SARA CURA
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Modificações de superfícies ósseas, uma “experiência” de consumo com Canis familiaris. II – marcas de dentes.
Metodologia
Os elementos ósseos foram analisados com forte luz incidente e uma lupa de mão (4x). Registaram-se os indicadores tafonómicos, nomeadamente as marcas de dentes, segundo o seu número, localização (face, porção), características métricas e tipologia, i.e. mordiscos, perfurações, sulcos e depressões. Quando possível, as marcas de dentes foram medidas com um paquímetro digital (Lux).
Resultados
FémurD: uma perfuração em plano de fractura e vários sulcos, alguns dos quais imensuráveis. A esfoliação da superfície óssea é ténue e os sulcos passíveis de ser medidos (n=7) oscilam entre 9.47x1,47mm e 3.15x0.91 mm;

UlnaE: forte esfoliação da superfície óssea associada ao consumo da epífise proximal;

RádioE: uma lasca cortical ainda presa e algumas esfoliações, sobretudo associadas a mordiscos e sulcos. Foi possível medir 3 mordiscos (2.74x1.12mm, 1.94x1.25mm, 1.47x1.41mm) e 5 sulcos que oscilam entre 7.18x0.04mm e 4.21x0.39mm;

ÚmeroD: uma perfuração em plano de fractura, furrowing inicial na porção distal e relativa esfoliação em certas partes do osso. Foi possível medir 1 sulco (5.04x0.90mm) e 5 mordiscos, estes variando entre 2.51x1.26mm e 0.95x0.54 mm. Identificaram-se duas depressões com 3.28x2.15mm e 2.75x2.55mm;

TíbiaD: uma perfuração em plano de fractura e esvaciado na porção proximal e distal. Identificaram-se 2 sulcos (12.21x0.89mm, 5.46x0.73mm) e 2 mordiscos (1.14x0.56, 0.83x0.74mm);

TíbiaE: um dos planos de fractura parece apresentar liking e um outro demonstra efectivamente este comportamento. Apresenta esvaciado e Identificou-se 1 perfuração em plano de fractura associada a esmagamento de tecido cortical, tendo-se desprendido 1 lasca cortical aquando do manuseamento do elemento. Um mordisco apresentava 1.21x0.74mm;

Perspectivas futuras
Esta experiência é um primeiro passo para a elaboração de um protocolo experimental que visa a obtenção de dados actualistas acerca das modificações realizadas por animais aquando do consumo de restos.
Agradecimentos
Uma vez mais os nossos agradecimentos vão para a Smartie pela sua participação activa nesta experiência.
Nelson Almeida


