segunda-feira, 11 de julho de 2011
Um site a revisitar
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Experimentação sobre Alterações pós-deposicionais em contextos fluviais
Estes processos são tanto mais importantes quando tentamos uma análise minuciosa da alteração das margens das peças. Nesse momento e quando estas não correspondem aos retoques cuja descrição e morfologia está bem convencionada (porventura demais e em desadequação com indústrias de outras matérias primas que não o sílex, mas isso é outra discussão), há toda uma série de questões que se colocam e vários caminhos e metodologias para intentar respostas. Alguns passam pela arqueologia experimental, não só pela manufactura e utilização de artefactos semelhantes, mas também pela tentativa de reproduzir em laboratório ou em ambiente fluvial actual aas diferentes acções, e respectivas consequências, implicadas no transporte, deposição e erosão fluvial.
Para quem está interessado aqui fica uma lista de bibliografia ( a negrito está o que não tenho, se alguém tiver agradeço):
Chambers, J.C., 2003. Like a rolling stone? the identification of fluvial transportation damage signatures on secondary context bifaces. Lithics 24, 66–77.
Grosman, L., Sharon, G, Talia Goldman-Neuman, T., Oded Smikt, O., Smilansky, U. (2011) Studying post depositional damage on Acheulian bifaces using 3-D scanning, Journal of Human Evolution, Volume: 60, Issue: 4, Publisher: Elsevier Ltd, Pages: 398-406
Hosfield, R.T. & Chambers, J.C. 2002. Processes and Experiences — Experimental Archaeology on a River Floodplain. In M.G. Macklin, P.A. Brewer & T.J. Coulthard (eds.) River Systems and Environmental Change in Wales: Field Guide: 32–39. Aberystwyth: British Geomorphological Research Group.
Hosfield, R.T. and Chambers, J.C. (2005) River gravels and flakes: new experiments in site formation, stone tool transportation and transformation. In: Fansa, M. (ed.) Experimentelle Archäologie in Europa, Bilanz 2004. Isensee Verlag, Oldenburg, pp. 57-74.
Hosfield, R.T. & Chambers, J.C. 2004. Experimental Archaeology on the Afon Ystwyth, Wales, UK. Antiquity 78
Hosfield, R.T The Afon Ystwyth Experiment Archaeology Project, http://www.personal.rdg.ac.uk/~sgs04rh/AfonYstwyth/Home.htm, Publicação em linha consultada no dia 6 de Julho de 2011
Hosfield, R.T., Chambers, J.C., 2003. Flake modifications during fluvial transportation: three cautionary tales. Lithics 24, 57–65.
Hosfield, R.T., Chambers, J.C., Macklin, M.G., Brewer, P., Sear, D., 2000. Interpreting secondary context sites: a role for experimental archaeology. Lithics 21, 29–35.
Isaac, G.L. 1989. Towards the interpretation of occupation debris: some experiments and observations. In: B. Isaac (ed.), The Archaeology of Human Origins: Papers by Glynn Isaac. Cambridge: Cambridge University Press. pp 191- 205.
Lewin, J., Brewre, P.A., 2002. Laboratory simulation of clast abrasion. Earth Surf. Proc. Land 27, 145–164.
Peacock, E., 1991. Distinguishing between Artifacts and Geofacts: a test case from eastern England. J. Field Archaeol. 18, 345–361.
PETRAGLIA, M.D.; NASH, D.T. (1987); The impact of fluvial processes on experimental sites. Natural Formation Processes and the Archaeological Record. (D.T. Nash y M.D. Petraglia, eds.). BAR International Series 352, 108-130.
ScHiCK, K.D. (1984): Processes of Palaeoiithic Site Formation: Na Experimental Study. Tesis doctoral, University of California, Berkeley, Ann Harbor, University Microfilms International.
ScHicK, K.D. (1987): Experimentally-derived entena for assesing hydrologic disturbance of archaeological sites. Natural Formation Processes and the Arcaheological Record. (D.T. Nash y M.D. Petraglia, eds.). BAR International Series 352, 86-107.
de la Torre, I (2001) El impacto de los procesos fluviales en la formación de los yacimientos arqueológicos pleistocenos al aire libre: pautas de análisis experimental. Espacio, Tiempo y Forma, Serie I , 14 13 – 45
SARA CURA
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Modificações de superfícies ósseas, uma “experiência” de consumo com Canis familiaris. II – marcas de dentes.
Metodologia
Os elementos ósseos foram analisados com forte luz incidente e uma lupa de mão (4x). Registaram-se os indicadores tafonómicos, nomeadamente as marcas de dentes, segundo o seu número, localização (face, porção), características métricas e tipologia, i.e. mordiscos, perfurações, sulcos e depressões. Quando possível, as marcas de dentes foram medidas com um paquímetro digital (Lux).
Resultados
FémurD: uma perfuração em plano de fractura e vários sulcos, alguns dos quais imensuráveis. A esfoliação da superfície óssea é ténue e os sulcos passíveis de ser medidos (n=7) oscilam entre 9.47x1,47mm e 3.15x0.91 mm;

UlnaE: forte esfoliação da superfície óssea associada ao consumo da epífise proximal;

RádioE: uma lasca cortical ainda presa e algumas esfoliações, sobretudo associadas a mordiscos e sulcos. Foi possível medir 3 mordiscos (2.74x1.12mm, 1.94x1.25mm, 1.47x1.41mm) e 5 sulcos que oscilam entre 7.18x0.04mm e 4.21x0.39mm;

ÚmeroD: uma perfuração em plano de fractura, furrowing inicial na porção distal e relativa esfoliação em certas partes do osso. Foi possível medir 1 sulco (5.04x0.90mm) e 5 mordiscos, estes variando entre 2.51x1.26mm e 0.95x0.54 mm. Identificaram-se duas depressões com 3.28x2.15mm e 2.75x2.55mm;

TíbiaD: uma perfuração em plano de fractura e esvaciado na porção proximal e distal. Identificaram-se 2 sulcos (12.21x0.89mm, 5.46x0.73mm) e 2 mordiscos (1.14x0.56, 0.83x0.74mm);

TíbiaE: um dos planos de fractura parece apresentar liking e um outro demonstra efectivamente este comportamento. Apresenta esvaciado e Identificou-se 1 perfuração em plano de fractura associada a esmagamento de tecido cortical, tendo-se desprendido 1 lasca cortical aquando do manuseamento do elemento. Um mordisco apresentava 1.21x0.74mm;

Perspectivas futuras
Esta experiência é um primeiro passo para a elaboração de um protocolo experimental que visa a obtenção de dados actualistas acerca das modificações realizadas por animais aquando do consumo de restos.
Agradecimentos
Uma vez mais os nossos agradecimentos vão para a Smartie pela sua participação activa nesta experiência.
Nelson Almeida
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Modificações de superfícies ósseas, termoalterações por contacto com fogo. I – cremação diferencial
Os critérios usados para identificar termoalterações por contacto com fogo são normalmente macroscópicos. Os principais indicadores compreendem mudanças estruturais, índices de coloração, aumento da friabilidade associada à comparência de fissuras e recristalizações, diminuição de tamanho, deformações, fragmentação e desintegração.
Os dados empíricos actualistas demonstram uma sequência de diferentes estádios de tonalidade - castanho, negro, cinzento, branco – com fases intermédias, relacionados com vários aspectos (e.g. tempo de exposição, temperatura máxima atingida, tipo de osso, existência ou não de tecidos moles). Grosso modo, uma possível correlação destes aspectos abarcará modificações desde o ligeiramente queimado, à carbonização e calcinação.
Exemplo de cremação diferencial
Apresenta-se um rádio-ulnaD de ovino-caprino que, após a remoção dos carpais, metacarpo e falanges, foi submetido à acção calorífica de uma fogueira com tecidos moles. Os resultados são interessantes, sobretudo por 3 aspectos:
1 – Denotam-se alterações na porção 5 relacionadas com o contacto directo com o fogo (estádio intermédio com carbonização);
2 – Na face medial/porção 3 e 4 a maior parte dos tecidos moles foram removidos, embora tenha restado uma fina película de tecidos remanescentes e periosteum que protegeu parcialmente a superfície óssea. O resultado foi uma faixa de tonalidade creme com uma mancha castanha (estádio inicial por contacto indirecto e estádio intermédio inicial);
3 – A restante área encontrava-se protegida da acção calorífica directa, não apresentando qualquer mudança de tonalidade devida ao contacto com o fogo.
Este é um bom exemplo das diferenças a nível de coloração passíveis de comparecer num mesmo elemento anatómico submetido ao contacto com fogo.
Nelson Almeida