terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sessão no XVI Congresso da UISPP

Car@s colegas,

No âmbito do próximo congresso da UISPP que terá lugar em Florianópolis (Brasil) entre 4 e 10 de setembro do corrente ano nós estamos a organizar uma sessão subordinada ao tema «Tecnologia e Experimentação». Em baixo encontrarão os fundamentos e respectivos objectivos.

Ficaremos muito contentes se aceitar participar e apresentar o seu trabalho. Se estiver interessad@ por favor envie-nos um título e um resumo com um máximo de 200 palavras

Desde já agradecemos a divulgação desta sessão junto de todos aqueles que possam ser interessados nesta temática.

Os nossos melhores cumprimentos,

Jedson Cerezer (Brazil) jcpithi@gmail.com

Sara Cura (Portugal) 0saracura0@gmail.com

Maria Gurova (Bulgaria) gurovam@yahoo.fr

Boris Santander (Chile) boris.santander@gmail.com

Tecnologia e Experimentação

A experimentação como método de contrastação de hipóteses não é nova nos estudos de arqueologia pré-histórica que focam os processos tecnológicos. Já desde a década de 70 que em consequência, quer da introdução dos conceitos de cadeia operatória no seio da escola paleo - etnológica, quer dos estudos actualísticos no âmbito teórico da arqueologia processual, se recorre à experimentação e utilização de réplicas de artefactos arqueológicos na procura de respostas acerca dos processos tecnológicos e funcionais a estes inerentes. No entanto, desde os anos noventa que os trabalhos de interface tecnologia e experimentação têm proliferado a nível mundial, resultando num renovado interesse na incorporação de estudos actualistas, em particular no âmbito de análises de cariz tecno-funcional.

Contudo, não são poucas as críticas aos procedimentos experimentais no estudo dos processos tecnológicos, questionando-se os seus fundamentos teóricos e validade explicativa. Estas críticas derivam em parte de uma óptica essencialmente morfo-tipologica na análise dos conjuntos artefactuais; mas também pela falta de compreensão do alcance dos estudos actualisticos e experimentais.

Esta sessão convida à discussão sobre aplicabilidade e alcance da experimentação no estudo das tecnologias pré-históricas através da apresentação de reflexões e/ou estudos caso sobre a modificação e utilização das mais variadas matérias-primas (argilas, pedra, osso, matéria vegetal, etc) empregues na produção de artefactos.

Dear all,

In the frame of the next IUPPS in Florianópolis (Brazil) from the 4th to 10th of september 2011 we are organizing a session entitled «Technology and Experimentation». You find its fundaments and goals attached.

We would be very pleased if you accept to participate and present your work and if you are interested please send us a title and a short abstract of 200 words

We thank you in advance for the diffusion of this session to those who may be interested in such thematic.

Best regards,

Jedson Cerezer (Brazil) jcpithi@gmail.com

Sara Cura (Portugal) 0saracura0@gmail.com

Maria Gurova (Bulgaria) gurovam@yahoo.fr

Boris Santander (Chile) boris.santander@gmail.com

Technology and experimentation

Experimental Archaeology as a hypothesis contrast method focusing on technological studies is not new in archaeological research procedures. Since the early 1970s as a consequence of the application of châine-operatoire/reduction sequence concepts within the framework of Palaeo-ethnological investigation, or within the actualistics studies highly developed in the framework of Processual Archaeology, the experimentation and utilization of artefact replicas have been used in the search for answers regarding technological procedures and their functional aspects.

However, since the 1990s the research interface technology/experimentation worldwide has increased resulting in a renewal of procedures and interest in the incorporation of such studies particularly in the field of techno-functional analysis of prehistoric artefacts.

Nevertheless the critics’ experimental procedures are abundant, questioning its theoretical fundamentals and explanation validity. These remarks result both from the morpho-typological approaches’ to artefact assemblages, but also from a lack of comprehension interpretative of the range and goals of such studies.

This session invites discussion on the present applicability and future perspectives of experimental procedures applied to the study of prehistoric technology studies, through the presentation of reflections and/or study cases regarding the modification, utilization and discard of varied raw materials employed in the fabrication of prehistoric artefacts (clay, stone, bone, vegetal material)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Melhor divulgação, era impossível!













Com muita satisfação vimos a nossa actividade satirizada nas páginas do Cavaleiro Andante do Jornal « O Mirante», um dos mais importantes jornais do distrito de Santarém!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Workshop de «cozinha Pré-Histórica»













Um lugar comum é dizer: somos o que comemos.

Mais raro é perguntar porque é que comemos o que comemos hoje em dia? Que história está por detrás de tão variados hábitos gastronómicos? E que papel teve a dieta alimentar na nossa evolução?

Entender os hábitos alimentares desde esta perspectiva é fulcral para nos darmos conta de alguns erros que cometemos actualmente e das potenciais consequências que estes terão no futuro da humanidade.

Estas questões serão mote de conversa durante a preparação e degustação de uma série de experiencias culinárias pré-históricas!

Claro que também vamos explicar como é que nós, arqueólogos, reunimos informação para vos poder contar e cozinhar a história da nossa dieta!

Desperte a curiosidade, abra o apetite e inscreva-se já!!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dilemas (paleo) tecnológicos

Face à une collection archéologique, il est pratiquement impossible d’identifier les objets intentionnellement recherchés pour fonctionner.

Comment faire la différence entre un déchet de taille qui présente un tranchant de coupe identique à celui que portera l’objet recherché, objectif de la production, si ce n’est que ce dernier doit certainement posséder d’autres caractères techniques et/ou de signes jugés indispensables pour fonctionner. Mais, lesquels ?






L’outil a beau être le support externalisé d’une mémoire, nous sommes dans l’incapacité d’accéder, ni à sa fonction ni a fortiori à son fonctionnement. Ce sont des objets qui sont en dehors de toute mémoire technique contemporaine.

En revanche, nous postulons que la compréhension des modes de production nous conduit à en déterminer leur(s) finalité(s), c’est-à-dire le pourquoi de leur existence technique, autrement dit les intentions techno-fonctionnelles, donc les outils. Par analogie, nous sommes dans le cas de figure où nous aurions devant nous une partie des éléments constituant une ou plusieurs machines totalement inconnues, que nous devrions reconstruire, sans plan, matériellement ou mentalement, afin d’en déterminer la (les) fonction(s) et le (les) mode(s) de fonctionnement, mais aussi les objets de leur production et leur fonctionnement. Vaste programme que s’efforce de réaliser la technologie préhistorique.

E. Boëda Paléo-technologie ou anthropologie des Techniques ?

Arob@se, www. www.univ-rouen.fr/arobase, volume 1, pp. 46-64, 2005

Podia ter sublinhado o possível e não a dificuldade, é verdade. Mas vocês não têm daqueles dias em que olham para os «artefactos» e perguntam mas como? Como reconhecer o que está fora do nosso conhecimento? Será possível? Provavelmente só conseguimos reconstruir fragmentos das intenções tecno-funcionais. Mais do que isso é mesmo difícil.

Enfim a frustração de quem pergunta também deriva da desproporção entre as questões que coloca e o que pode ser atendível como resposta…é como perguntar algo a uma pessoa que não consegue responder. Das duas, umas, ou reformulamos a pergunta, ou inventamos nós a resposta. Melhor a primeira. Também me podem dizer, pergunta a outra!

Em qualquer dos casos e apesar do desalento ocasional, procurar entender a tecnologia ao longo de 3 milhões de anos é um desafio irresistível.

S. Cura

Relação entre combustível e combustão: experiencias de recolha e transformação – ALGUMAS OBSERVAÇÕES E BIBLIOGRAFIA


As noções de abundância e escassez são como as noções de qualidade da matéria-prima, isto é, são subjectivas porque dependem das necessidades e objectivos tecno-económicos das comunidades pré-históricas. De todas as formas podemos dizer que com um grupo maior e uma duração mais prolongada a recolha de madeira seca começaria a ser mais complicada devido ao aumento da distância a percorrer. Esta aumentou 50 metros por dia. Podemos dizer que abaixo dos 1500 m se está num raio local, mas a nossa recolha foi de pouca quantidade e é um facto que a biomassa disponível em madeira seca é sempre inferior à madeira verde.

A isto devemos acrescentar o facto de a madeira seca queimar muito mais depressa. A vantagem reside na facilidade de colecta (como referimos, só pontualmente foi necessário recorrer a instrumentos de pedra para cortar os ramos secos de forma a facilitar o seu transporte).

Mais observamos que ambas as estruturas e combustões atingiram temperaturas mais do que suficientes para as tarefas e funcionalidades associadas. Para aquecimento, cozinhar, fabricar resinas qualquer tipo de madeira atinge a temperatura necessária. Assim a relação entre o tipo de madeira e a funcionalidade das estruturas para estas actividades não faz grande sentido.

BIBLIOGRAFIA (ELEMENTAR)

Théry-Parisot, I. (1998). Economie des combustibles et paléoécologie en contexte glaciaire et périglaciaire, Paléolithique moyen et supérieur du sud de la France (Anthracologie, Expérimentation, Taphonomie). Doctorat, Université de Paris I Panthéon- Sorbonne, pp. 500

Théry-Parisot, I. & Meignen, L. (2000). Economie des combustibles bois et lignite dans l’abri mouste´rien des Canalettes, de l’expérimentation à la simulation des besoins énergétiques. Gallia Pre´histoire 42, p. 45–55.

Théry-Parisot, I. (2001). Economie des combustibles au Paléolithique. Expérimentation, Taphonomie, Anthracologie. Paris CNRSEditions Col. Dossiers de Documentation Archéologique, 20, 196 pp.

Théry-Parisot, I. (2002) Fuel Management (Bone and Wood) During the Lower Aurignacian in the Pataud Rock Shelter . Contribution of Experimentation, Journal of Archaeological Science 29, P. 1415–1421

LA TRANSFORMACIÓN DE UN RECURSO BIÓTICO EN ABIÓTICO: ASPECTOS TEÓRICOS SOBRE LA EXPLOTACIÓN DEL COMBUSTIBLE LEÑOSO EN LA PREHISTORIA de Ethel Allué Martí y Mª Dolores García-Antón Trassierra

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Relação entre combustível e combustão: experiencias de recolha e transformação – A EXPERIÊNCIA

12-14 de Junho de 2010

Local : Azenha do Cavaco

Tipo de madeira utilizada:

Amieiro (Alnus glutinosa e Alnus incana)

Toda a madeira foi recolhida morta, sem selecção de morfologia e partida à mão, ocasionalmente com recurso a instrumentos de pedra, com excepção de um grande tronco seco que se quebrou através da combustão.




























































O combustível lenhoso recolhido foi utilizado em duas estruturas distintas:

ESTRUTURA 1 - uma para secar carne, sem estrutura pétrea e com uma diâmetro máximo de 50cm

















ESTRUTURA 2 -
para várias funções: aquecimento, cozinhar, preparar resinas, etc; com cerca de 80cm de diâmetro e uma estrutura pétrea a delimitar















































As duas estruturas tiveram uma combustão contínua (os participantes do acampamento alternavam para garantir que nunca se apagavam) e somou 67h, tendo sido queimados 140kg de lenha.

A temperatura foi mínima foi de 100°, média de 400°, máxima de 600°. Esta foi registada com pirómetro no centro da fogueira a medir a temperatura que emana e não a temperatura da combustão, já que esta atinge valores muito mais altos.







Tempo, quantidade e área de aprovisionamento:

1 dia a recolha durou 30 min, feita num raio de 50m e caminhou-se cerca de 624m ( a distancia foi controlada com?) para recolher 50kg

2 dia a recolha durou 40min, alargou-se a área em 50m e caminhou-se cerca de 1km tendo sido recolhida 60kg de lenha

No 3 dia a recolha durou 20min, atingiu um raio de 150m e foram recolhidos 30kg de lenha

Factores extrínsecos:

Estes não foram medidos com precisão já que não foram utilizados os equipamentos que podem medir o vento, a pressão atmosférica, a temperatura e a humidade do ar.

Grosso modo podemos dizer que os ventos foram sempre muito fracos, a humidade estava baixa e a temperatura média rondou os 20°

Continua...

Relação entre combustível e combustão: experiencias de recolha e transformação – PORQUÊ?









Durante o acampamento experimental em Junho deste ano na Azenha do Cavaco em Mação, entre as muitas experiencias que se fizeram, tivemos em atenção as questões da utilização dos recursos vegetais enquanto combustível.

Naturalmente que o que fizemos não foi rigorosamente documentado e não teve como referencia uma questão suscitada pela pesquisa arqueológica concreta em torno de um sítio, conjuntos de vestígios paleoambientais ou estruturas de combustão.

O objectivo foi ter uma primeira noção de algumas relações entre a colecta, a utilização em diferentes estruturas e o tempo de combustão. Objectivo decorrente do nosso interesse em conhecer a relação entre a tecnologia e a economia durante a pré-história.

Entender essa relação no que diz respeito aos recursos vegetais apresenta particulares dificuldades: a sua ténue preservação, a difícil conservação de estruturas onde foram utilizadas e finalmente entender a sua utilização também depende do nosso conhecimento dos paleoambientes e sua alteração na maior parte do tempo e espaço pré-histórico.

Neste caso focamo-nos sobretudo na utilização de lenha enquanto combustível e pretendemos com os registos efectuados estruturar algumas ideias sobre:

  • Disponibilidade e abundância
  • Energia gasta na aquisição
  • Características da lenha e temperatura e duração da combustão
  • Funcionalidade das estruturas de combustão

Desta primeira experiência podemos dizer que adquirimos uma noção do funcionamento dos items referidos que melhor nos permitirá no futuro estudar em diferentes períodos da pré-história a gestão e utilização deste recurso. Tal pesquisa implica (a breve bibliografia que indicamos mostra isso claramente) procedimentos experimentais bastante mais complexos e uma combinação de dados paleoecológicos e arqueológicos. Evidentemente que mesmo nestas circunstâncias e dispondo destes dados, qualquer experimentação sobre a combustão enfrenta a impossibilidade da restituição do conjunto de condições climáticas do período cronológico em estudo, cuja variabilidade desconhecemos com precisão.

Continua....

Entender a tecnologia pré-histórica - Pirotecnologia








Dizia-nos o Professor Dragos Gheorghiu há semanas atrás, a propósito da tecnologia do fogo, que há estudos e compreensão de muitos processos tecnológicos que só se atingem quando experienciado de uma forma indescritível utilizando a «escrita científica arqueológica convencional».

Nós observamos mais uma vez a distinção entre a experiência e a experimentação. E então a pergunta que colocamos é: o que vale uma e o que vale a outra? Sobretudo a primeira.






Alguém quer comentar e responder?



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Art and archaeology / Technology and experimentation - didactic ressources of the Pre-Historic Art Museum of Mação (2)

Andakatu project: an visual overview
















Quartzite Handaxe knapping













Knapping tools and Raw materials
















Wood spear elaboration with stone tools
















Polished axe elaboration
















Rock painting













Lighting fire…
















…to cook dinner














Technology and experimentation session













Experimentation activities with children













Experimental demonstration and explanation in High School













Building a «Neolithic house»













Explaining and preparing a simulated excavation

















Preparing the natural pigments













Painting experimentation











Painting experimentations in the Museum Lab













Explanation of rock art study techniques in Museum classroom
















Cast’s elaboration in the Museum lab














Children Party animation in Mação













Guided tour in the museum…














…followed by Andakatu’s quiz.














Children engagement in field work: Rock art










Children engagement in field work: Megalithic Monument safeguarding