quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Entender a tecnologia pré-histórica - Pirotecnologia








Dizia-nos o Professor Dragos Gheorghiu há semanas atrás, a propósito da tecnologia do fogo, que há estudos e compreensão de muitos processos tecnológicos que só se atingem quando experienciado de uma forma indescritível utilizando a «escrita científica arqueológica convencional».

Nós observamos mais uma vez a distinção entre a experiência e a experimentação. E então a pergunta que colocamos é: o que vale uma e o que vale a outra? Sobretudo a primeira.






Alguém quer comentar e responder?



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Art and archaeology / Technology and experimentation - didactic ressources of the Pre-Historic Art Museum of Mação (2)

Andakatu project: an visual overview
















Quartzite Handaxe knapping













Knapping tools and Raw materials
















Wood spear elaboration with stone tools
















Polished axe elaboration
















Rock painting













Lighting fire…
















…to cook dinner














Technology and experimentation session













Experimentation activities with children













Experimental demonstration and explanation in High School













Building a «Neolithic house»













Explaining and preparing a simulated excavation

















Preparing the natural pigments













Painting experimentation











Painting experimentations in the Museum Lab













Explanation of rock art study techniques in Museum classroom
















Cast’s elaboration in the Museum lab














Children Party animation in Mação













Guided tour in the museum…














…followed by Andakatu’s quiz.














Children engagement in field work: Rock art










Children engagement in field work: Megalithic Monument safeguarding

Art and archaeology / Technology and experimentation - didactic ressources of the Pre-Historic Art Museum of Mação (1)



Archaeology approaches the past from a particular focus. Although its interest builds from the human sciences, it focuses on natural and earth sciences as well, since it understands past behaviour as cultural adaptations interacting with the environment. In doing so, archaeology also stresses both the diversity of cultural behaviour strategies and the unity and interaction among them.

Moreover, archaeological practice combines highly complex technologies with a strong involvement of yet untrained people, mainly children and youngsters, these being attracted by the possibility to participate in some stages of research (namely survey and excavations), where to a certain extent they can be part of he process of knowledge construction. In doing so, archaeology emerges at the crossroad of acquaintance, but mainly contributes for the enhancement of youngsters in understanding cultural diversity and for their awareness of the fact that knowledge is built through a combination of rigorous methods and dialogue involving often contradictory points of view.

Being Prehistoric Art the main thematic off Mação Museum, artistic education is a major component of all activities, departing form the notion that all senses stimulation is the best way to educate and get our message across.

Embodied with these concepts, the Museum of Prehistoric Art (Mação, Central Portugal) developed a didactic project in Portugal project where a character named Andakatu leads children, youngsters and adults into the path of human evolution. Through archaeological experimentation and fieldwork or lab activities involving the participants in learn by doing process, the project has been successfully engaged with thousands of children all over Portugal.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Nota Técnica

A todos os frequentadores deste blogue apresentamos as nossas desculpas pela (des)formatação dos conteúdos, todavia tem sido cada vez mais difícil colocar texto e imagens de forma equilibrada e legível no Blogger (será que algum de vós tem o mesmo problema?). Claro que para a nossa equipa isso é um problema, já que a maior parte dos nossos conteúdos são com imagens...
Agradecemos a vossa compreensão!
Sara Cura

Esquartejamento experimental de dois Sus scrofa

Esquartejamento experimental de dois Sus scrofa

Os resultados apresentados enquadram-se nos diversos projectos interdisciplinares desenvolvidos pelo Laboratório Quaternário e Indústrias Líticas (Instituto Terra e Memória, Mação, Portugal) e pelo Grupo “Quaternário e Pré-História” do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra.

A aquisição de dados actualistas através de esquartejamento experimental de carcaças animais apresenta como principais objectivos a) apurar os problemas das distintas fases de esquartejamento, b) zonas mais propícias a contactos e c) suas consequências, possibilitando extrapolar padrões de acesso e consumo.

Protocolo Experimental

Os espécimes em questão são dois javalis juvenis com um peso a oscilar entre os 40-50 kg (2ª/3ª geração em cativeiro). Servimo-nos de utensílios em quartzito e preensão manual. Todas as acções/contactos foram registados: descrição da actividade, unidade anatómica, movimento (tipo, direcção), localização (face, porção) e pressão exercida (Ficha N.º 1). As experimentações efectuaram-se com os esqueletos apoiados no solo e os intervenientes apresentavam experiência prévia nestas actividades. Após o esquartejamento, os restos foram fervidos de modo a se retirar os recursos não aproveitados.

Todas as unidades anatómicas foram analisadas recorrendo a uma lupa de mão (10x) e, em alguns casos, uma lupa binocular OPTHEC x120Hze e um microscópio metalográfico Olympus SZ40 (400x) apetrechado com uma câmara Infinity X (software DpxViewPro). As marcas de corte foram registadas consoante a sua tipologia (incisão, raspado, talhe, serrado), localização (porção, face), orientação e disposição, tendo-se efectuado medições com um paquímetro digital Lux. Consideramos como grupo/conjunto - efeito de um momento correlativo a uma mesma acção - todas as marcas agrupadas com distâncias <5>













O processo de esquartejamento (Figura N.º 1) iniciou-se com a remoção da pele realizou-se através de uma incisão longitudinal no ventre, estendida até à área da articulação do atlas com o áxis, a partir desta produziram-se outras quatro longitudinais mediais, uma para cada membro. Após o corte em toda a secção dos articulares (contactos com os carpais/tarsais) removeu-se a pele ocorrendo contactos com o crânio e mandíbulas. Procedeu-se à separação das extremidades recorrendo à indústria lítica e, sobretudo, a força mecânica e movimentos de torção (contactos com os carpais/tarsais); desconexão do rabo (contactos com algumas vértebras caudais); do crânio (contactos com a base do crânio, atlas, áxis e 3ª vértebra cervical). A esvisceração foi realizada com os utensílios (contacto com a face ventral de algumas costelas) e as mãos. O desmembramento dos membros anteriores realizou-se pela escápula junto com o antebraço, sem contactos; os membros posteriores através da articulação do acetabulum com a cabeça do fémur tendo ocorrido contactos com o acetabulum e o fémur (porção 1 e 2).

No indivíduo 1 percutiu-se no esterno de modo a abrir a caixa torácica tendo-se fracturado o mesmo e as partes distais das costelas articuladas com as estérnebras. No indivíduo 2 procedeu-se à remoção da língua sem que se registasse quaisquer contacto com a mandíbula; tal ocorrência carece de contrastações porquanto o crânio estava sem pele e havia-se descarnado a face lateral das mandíbulas. Em ambos os indivíduos foram descarnadas algumas unidades anatómicas.
















Figura N.º 1 – Diferentes etapas do esquartejamento experimental.

Os dados obtidos possibilitaram discriminar as distintas actividades de processamento das carcaças. Acções de remoção de pele comparecem sobretudo através de incisões, mas também golpes, oblíquos e transversais nas mandíbulas, crânios e alguns articulares. As marcas relacionáveis com a esvisceração são muito raras e apenas foram averiguáveis sob a forma de incisões na face ventral de algumas costelas. Saliente-se que as marcas de corte podem comparecer em mais do que uma costela mas corresponder ao mesmo movimento.

As actividades de desmembramento foram realizadas previamente à descarnação (e desconexão posterior) e compareceram sob a forma de incisões na pélvis e porção 1 dos fémures; ocasionalmente averiguaram-se serrados, nomeadamente no acetabulum do espécime 2. O espécime 1 não apresentava quaisquer marcas na porção 1 do fémur e apenas um dos acetabulum apresenta marcas desta acção. Tal aspecto poderá dever-se à pressão baixa dos contactos ou a que estes se remetam sobretudo para a cartilagem. Por outro lado, levantou-se a possibilidade de, no caso de se tratar de indivíduos jovens de dimensões pequenas, o desmembramento dos membros posteriores puder sobrevir com o corte de massa muscular seguido por um movimento de torção, assim provocando raros contactos/marcas de corte.

O descarne e desconexão posterior pode sobrevir sobre a quase totalidade do esqueleto e comparece principalmente na forma de incisões oblíquas de dimensões variáveis. De referir a comparência de raspados (indivíduo 1) devidos ao descarne e relacionados com o aproveitamento de recursos marginais, em detrimento da preparação da superfície óssea para criação de um área idónea à percussão. Ambos os indivíduos eram jovens pelo que alguns ossos apresentavam bastante esfoliação, dificultando a visualização de possíveis marcas de corte.



Figura N.º 2 – Incisões paralelas transversais na face medial, porção 4 da tíbia esquerda (67x).







Figura N.º 3 – Golpe isolado oblíquo na face caudal, porção 3 da escápula esquerda (67x).






Figura N.º 4 – Conjunto de marcas de corte do tipo raspado oblíquas na face ventral, porção 3 da tíbia esquerda (67x).



Nelson Almeida