quinta-feira, 13 de maio de 2010

Monitorização das alterações diagenéticas em crânios de ungulados


No passado dia 10 de Maio foi dado o primeiro passo na experiência de monitorização das alterações diagenéticas em crânios de animais ungulados. Em consequência das diversas experiências de arqueologia experimental, nomeadamente, o esquartejamento de animais com recurso a utensilagem lítica de quartzito, foram enterradas as partes cranianas dos animais explorados, com o objectivo de observar as respectivas alterações diagenéticas durante o processo de decomposição.


Fig. 1 – Inicio do esquartejamento a após remoção da pele


O primeiro espécimen exumado corresponde a um crânio e mandíbulas de uma fêmea adulta de Ovis aries (ovelha) que haviam sido enterrados a 28 de Agosto de 2008. O ambiente sedimentar é caracterizado por areias grosseiras, de tonalidade entre o amarelado e o alaranjado, sendo a vegetação composta por amoreiras (a vegetação mais próxima do enterramento é Morus nigra).


Fig. 2 – Vista geral do local onde se efectuaram os trabalhos de experimentação e exumação

No momento da exumação o elemento encontrava-se ainda em pleno processo de decomposição, revestido por tecidos moles, embora em completa desarticulação, tendo-se observado actividade biológica larvar.

Fig. 2 – Aspecto da exumação






Fig. 3 – Pormenor do crâneo e larvas


Durante a escavação foram recolhidas amostras de sedimento da área envolvente ao crânio bem como fora do enterramento, cuja descrição é a seguinte:

Sedimento que colmatava a mandíbula (dentro).

Código Cailleux: P 67/69 (acastanhado)

Sedimento com grande componente argilosa, contem grande quantidade de matéria orgânica (sendo gorduroso ao toque)

Areia muito grosseira (2,00 - 3,00 mm) com matriz silto-argilosa (0,125 - <0,063).

Sedimento junto da mandíbula esquerda.

Código Cailleux: N65/67 (alaranjado)

Sedimento areno-argiloso, com bastante matéria orgânica ainda em decomposição. Quando húmido formam-se grânulos.

Areia grosseira (1,00-0,500 mm), com matriz com componente de material silto-argiloso (0,125 - <0,063).>

Sedimento afastado 2m do local onde estava o crâneo

Código Cailleux: M70/71 (amarelado)

Sedimento friável, com pouca matéria orgânica (algumas raízes e restos de folhas)

Areia grosseira (1,00-0,500 mm) com matriz de areia muito fina e siltes (0,125 - <0,065>

Em breve, faremos in loco a medição da amplitude da variação do pH nos sedimentos por influência dos fenómenos de decomposição da matéria orgânica.

O crânio e mandíbulas foram a posteriori submetidos a um processo de lavagem simplificado com água corrente. A observação macroscópica não registou alterações na superfície dos ossos como consequência dos processos diagenéticos, apenas manchas de coloração mais escura como resultado da diferente percentagem de gordura remanescente em determinadas partes do crânio.


Esta actividade revelou-se importante porque nos ajudará a planificar as próximas actividades, nomeadamente, a estabelecer o período a partir do qual se torna pertinente exumar os elementos esqueléticos para que sejam observáveis alterações tafonómicas. Por outro lado, tornou-se evidente a repetição da experiência noutros ambientes geológicos e sedimentares.

Fig. 4 - Pormenores da lavagem


Para além do interesse na observação das marcas tafonómicas de origem natural na superfície dos ossos em condições controladas, temos como um dos principais objectivos, a integração da metodologia da geo-arqueologia, não só na descrição do ambiente sedimentar onde o elemento é deposto, mas também, no estudo das alterações químicas e físicas nesses mesmos sedimentos como consequência da decomposição de elementos esqueléticos.


Fig. 5 – Aspecto do crâneo dois dias após a lavagem


Cláudia Costa, Nelson Almeida, Sara Cura, Hugo Gomes e Pedro Cura



sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fabricação da Foice - breve descrição

Os elementos de foice foram feitos utilizando sílex recolhido na região de Rio Maior e após a debitagem de pequenas lâminas, estas foram segmentadas por meio da técnica do micro-buril e os micrólitos foram finalizados com retoque por pressão.
O cabo foi feito de Medronheiro, o ramo foi escolhido combinando o equilíbrio da regularidade da circunferência, o respectivo diâmetro (cerca de 3 cm) e finalmente a sua curvatura natural. No presente caso, não foi necessário trabalho adicional para que a curvatura fosse mais funcional.
O ramo secou durante cerca de um mês e meio para evitar dilatações que resultem em fissuras durante abertura e fixação dos elementos de foice.
Depois de seco foi parte da casca foi raspada com uma lasca de sílex e feita uma abertura com um buril para criar o encaixe dos elementos líticos.
Em seguida foi fabricada uma cola feita de resina de pinheiro e carvão esmagado que são misturados no fogo.
Finalmente fixámos uma série de elementos de foice. Este processo tem de ser célere dado o curto tempo de secagem da cola.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gravuras experimentais

Há cerca de um ano atrás, no âmbito do projecto RupTejo e do trabalho académico de Carole Ridel sobre a arte rupestre do vale do Tejo, a equipa que trabalha em arqueologia experimental no Museu de Mação e Instituto Terra e Memória fez uma série de gravuras experimentais numa zona do Vale do Ocreza totalmente destruída após a construção de um viaduto da A23. Utilizámos vários tipos de instrumentos, várias modalidades técnicas e gestuais…mas o que se fez foi montar uma metodologia que só de forma preliminar foi aplicada. Este trabalho que colheu críticas negativas, mas também muitas positivas, e vai seguramente ter continuidade.

Deixamos aqui uma cópia da apresentação de Carole Ridel nas IV Jornadas de Arqueologia Ibero-Americanas.

Sara Cura



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Fabricação de uma foice, um pormenor

Fase final da fabricação de uma foice «neolítica»: fixação dos elementos em sílex com uma cola feita de resina de pinheiro e carvão. O cabo foi feito com madeira de oliveira.

Em breve explicaremos todo o processo de fabricação.


quarta-feira, 24 de março de 2010

Arte Rupestre e Líticos

Num encontro imprevisto o Pedro Cura e Ramon Viñas fizeram instrumentos, gravuras e pinturas, trocando experiências e informações fantásticas. Não é exactamente arqueologia experimental o que se vemos nesta sequência de imagens, mas é investigação de acordo com a nossa perspectiva heurística do que pode ser a experimentação.



S. Cura