terça-feira, 18 de novembro de 2008

Andakatu «sem fronteiras»!

Para nossa enorme satisfação podemos dizer que o Projecto Andakatu tem funcionado muito bem dentro e fora de Mação!
Pensamos que o bom desempenho deste projecto está sobretudo na forma como são preparadas e conduzidas as actividades de experimentação. O “Andakatu”, envolve os participantes em ateliers de experimentação (talhe, polimento, cerâmica, pintura, …), não de forma meramente lúdica, mas inscrevendo essas experimentações no âmbito dos programas de investigação sobre tecnologias pré-históricas que o Museu de Arte Pré-Histórica de Mação e o Instituto Politécnico de Tomar desenvolvem. Na verdade, todos os elementos da equipa do Andakatu são também investigadores em Pré-História (a equipa não se limita a funcionários do Museu, envolve os alunos de Mestrado e Doutoramento e investigadores residentes em Mação), não separando a sua a pesquisa da didáctica. Desta forma as actividades procuram sempre ser mais do que uma apresentação simplista dos resultados da investigação, envolvendo os participantes (quando jovens e adultos) sem formação específica em arqueologia, nos problemas da investigação científica. Já o enorme público infantil do Andakatu é estimulado de forma sensitiva, o discurso é adaptado a estas idades mas alicerçado na transmissão de conhecimentos de forma integrada, não separando as ciências das artes e sempre numa perspectiva de aprender fazendo.
As solicitações vêm de escolas por todo o país, e este ano está definitivamente consolidada a carreira internacional do homem pré-histórico do Vale do Ocreza.
As viagens além fronteiras, a convite de amigos como Hipolito Collado, Mila Simões de Abreu, Chris Chipendalle e Rossano Lopes Bastos, tiveram início no Verão de 2007. Nesse período fomos a Fuentes de Oñoro em Espanha e apresentámos o projecto no Congresso de Arqueologia Brasileira em Florianópolis, realizando também diversos ateliers nesta cidade. Já em Fevereiro de 2008 fomos até ao Reino Unido e, em Cambridge, integrámos os nossos ateliers nas actividades educativas do
Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade de Cambridge. Mais tarde fomos até à Sardenha no âmbito do PERFORMATIVE ARTS FESTIVAL promovido pelo Projecto Europeu Transformations.
Durante o verão deste ano nuestros hermanos convidaram-nos para vários ateliers desenvolvendo uma colaboração assídua que resultou na coordenação de uma acção de formação integrada no Taller de Empleo Prehistopolis do Ayuntamiento de Herrera de Alcantara, promovido pela Consejería de Igualdad y Empleo da Junta de Extremadura. Durante 8 dias o Pedro Cura transmitiu nossa experiência e pôs em prática com os formandos as actividades de experimentação didáctica que temos vindo a fazer.
Deixamos aqui algumas imagens do trabalho desenvolvido…

http://picasaweb.google.com/Andakatu/AndakatuNoTallerDeEmpleoPrehistopolisEmSantiagoDeAlcantara#

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Olhar para a simetria...

in A.J. Machin, R.T. Hosfield, S.J. Mithen:2007

Nestes dias numa leitura sobre experimentação no estudo de artefactos líticos levou-me até à questão da simetria dos bifaces. Os autores, que abaixo cito, procuraram através da experimentação verificar a existencia de uma relação entre a simetria dos bifaces e a sua eficácia enquanto utensílio utilizado em actividades de esquartejamento. Trabalho bem interessante, não só pelo tema, mas também por toda a metodologia aplicada e pela quantidade de dados processados (imaginem 30 veados em 3 dias, haja subsídio para a experimentação!). Ao que parece a relação não é directa, mas os autores invocam desadequações de ordem metodológica a corrigir em futuras experimentações. Só com mais trabalhos se poderá verificar se de facto a simetria é um factor pouco determinante para a suposta eficácia de um biface, pelo menos neste tipo de actividades. Forçosamente são precisos mais dados provenientes de outras experimentações, outras actividades, diferentes actividades conjugadas e com reavivamentos... Não me vou deter nesta discussão, quero somente deixar esta referência de Macnab (Pág. 674) sobre a nossa insistência pela observação, procura e (sobre?) valorização da simetria num seu trabalho também a propósito de bifaces:

In this sense the question asked by White is very germane. Why do we privilege symmetry and an aesthetically pleasing overall finish as criteria for nascentsymbolic capacities? In part the answer is one that we have already offered—one of historical tradition. These were the yardsticks of the culture historians, a window through which they felt they could view an incipient "humanness." I have some sympathy with White’s suggestion that the real signalling media would be successful blank production, simplicity and rapidity of production (while devoid of a symbolic component to the act of making), and perhaps other archaeologically invisible but socially very visible criteria such as physical strength, hunting prowess, physical appearance, sociality, cooperative behaviour, and perhaps assertiveness in cooperative behaviour.

John McNabb, Francesca Binyon, and Lee Hazelwood(2004) The Large Cutting Tools from the South African Acheulean and the Question of Social Traditions, in Current anthropology, Volume 45, Number 5, pp 653 - 657
A.J. Machin, R.T. Hosfield, S.J. Mithen (2007) Why are some handaxes symmetrical? Testing the influence of handaxe morphology on butchery effectiveness, in Journal of Archaeological Science 34 pp.883-893

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O que é a eficácia de um utensílio?

(Lasca utilizada na experimentação dos vídeos deste post)

Uma das questões que frequentemente orienta as experimentações é procurar verificar a relação de eficácia entre o suporte utilizado (lasca, biface, ponta, raspador…) e acção desenvolvida (esquartejamento, raspagem de pele, corte de madeira…).
Mas o que é a eficácia?
É a velocidade com que se executa a acção? Atingir o objectivo em menos tempo possível?
É a qualidade do resultado? Se no primeiro caso podemos controlar o tempo em que a tarefa é concluída, com que critérios avaliamos se a mesma ficou melhor ou pior? Por exemplo, o que distingue um bom esquartejamento de um esquartejamento sofrível?
Ou, por último, é o bom funcionamento do suporte? Isto é, a relação peso morfologia e a facilidade de preensão, a eficiência e duração da margem activa…
Mais ideias para reflectir, em conjunto.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

II Congreso Internacional de Arqueología Experimental

Já está disponível no site do congresso o programa provisório.
Promete!
São quase 600km de Lisboa e 900km do Porto, mas as estradas até são boas...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Jornal EuroREA 5/2008


Está disponível para encomendas o último número do Jornal EuroREA - Re)construction and Experiment in Archaeology

Contents

Lake-dwelling building techniques in prehistory: driving wooden piles into lacustrine sedimentsstudies/Francesco Menotti, Elena Pranckenaite (Italy / Lithuania)
Mit Schulklassen ins Museumeducation/Marlise Wunderli (Switzerland)

Early Medieval Walls and Roofs: a case study in interrogative excavationitems – ESF/Martin Millett (United Kingdom)

Application of a Set of Avian Bones for Reproduction of Prehistoric Geometric Designsitems/Eva Lamina (Russia / USA)

La construction d’un grenier surélevé d’apres les données archéologiques d’un habitat du haut Moyen Âgeitems/Aurélia Alligri (France)

Interaction between experimental archaeology and folklore - Latvian examplediscussion/Ieva Pigozne-Brinkmane (Latvia)

Linking Experimental Archaeology and Living History in the Heritage Industrydiscussion/Carolyn Forrest (Scotland)

Stone Age on Air: A successful „living science“ programme on German televisiondiscussion/Karola Müller (Germany)

The Algaba project in Ronda: an integrated approach to experimental archaeologyreports/Maria Sánchez Elena, Juan Terroba Valadez, Francisco Moreno Jiménez, David García González, Maria Fernández de Heredia Hernández, Francisca Perena Huertas, Patricia Ojeda Durán (Spain)

The history of Lofotr Viking museumreports/Julie Sæther (Norway)

Léonce Demarez – Une vie pour l’archéologiereports – INTERVIEW/Radomír Tichý, Hana Dohnálková (Czech Republic)

Workshops zur Experimentellen Archäo-Ethnografiereports/Antonio Affuso, Salvatore Bianco, Vito Antonio Baglivo, Annibale Formica, Marta Golin, Ada Preite (Italy)