Já está disponível no site do congresso o programa provisório.
Promete!
São quase 600km de Lisboa e 900km do Porto, mas as estradas até são boas...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Jornal EuroREA 5/2008

Está disponível para encomendas o último número do Jornal EuroREA - Re)construction and Experiment in Archaeology
Contents
Lake-dwelling building techniques in prehistory: driving wooden piles into lacustrine sedimentsstudies/Francesco Menotti, Elena Pranckenaite (Italy / Lithuania)
Mit Schulklassen ins Museumeducation/Marlise Wunderli (Switzerland)
Early Medieval Walls and Roofs: a case study in interrogative excavationitems – ESF/Martin Millett (United Kingdom)
Application of a Set of Avian Bones for Reproduction of Prehistoric Geometric Designsitems/Eva Lamina (Russia / USA)
La construction d’un grenier surélevé d’apres les données archéologiques d’un habitat du haut Moyen Âgeitems/Aurélia Alligri (France)
Interaction between experimental archaeology and folklore - Latvian examplediscussion/Ieva Pigozne-Brinkmane (Latvia)
Linking Experimental Archaeology and Living History in the Heritage Industrydiscussion/Carolyn Forrest (Scotland)
Stone Age on Air: A successful „living science“ programme on German televisiondiscussion/Karola Müller (Germany)
The Algaba project in Ronda: an integrated approach to experimental archaeologyreports/Maria Sánchez Elena, Juan Terroba Valadez, Francisco Moreno Jiménez, David García González, Maria Fernández de Heredia Hernández, Francisca Perena Huertas, Patricia Ojeda Durán (Spain)
The history of Lofotr Viking museumreports/Julie Sæther (Norway)
Léonce Demarez – Une vie pour l’archéologiereports – INTERVIEW/Radomír Tichý, Hana Dohnálková (Czech Republic)
Workshops zur Experimentellen Archäo-Ethnografiereports/Antonio Affuso, Salvatore Bianco, Vito Antonio Baglivo, Annibale Formica, Marta Golin, Ada Preite (Italy)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Reflexão (incompleta e aberta) sobre arqueologia experimental e líticos
A proposta é reflectir um pouco acerca da Arqueologia experimental enquanto abordagem no estudo dos artefactos líticos pré-históricos, todavia importa esclarecer aquilo que ela não é, já que é frequente a confusão entre experimentação, experiência e actividades didácticas de manufactura e utilização de utensílios em pedra, ou ainda mais de reconstruções de actividades e estruturas pré-históricas (REYNOLDS, P.:1999).Por exemplo, o talhe experimental de um Biface é um exercício de reprodução onde são aplicados conceitos e técnicas que derivam da experimentação, mas é uma experiência individual. É então uma actividade de contacto entre o talhador, as matérias-primas e tecnologias empregues que, sendo fundamental para o processo de aprendizagem do talhe, pela sua singularidade não é Arqueologia Experimental. Por outro lado, talhar o mesmo Biface perante um grupo de não especialistas (por exemplo visitantes de um museu ou de um parque arqueológico), não só é uma reconstrução altamente educativa, como deve ser a comunicação acessível dos resultados de uma investigação pautada pela experimentação, mas não é em circunstância alguma Arqueologia Experimental. As experiências singulares e didácticas devem decorrer de um plano de investigação de problemáticas arqueológicas, cujo estudo passa por actividades de experimentação, mas são já efectuadas sem o método, a exaustividade de registo e confronto que estas implicam. Sobretudo não ocorrem como fase de teste, verificação e compreensão de uma hipótese ou modelo construído com base no estudo de materiais e contextos arqueológicos.
No decurso da investigação sobre um sítio arqueológicos, o entendimento dos seus processos de formação, das suas estruturas ou dos conjuntos artefactuais nele exumados pode levar à formulação de hipóteses de explicação e interpretação. Hipóteses essas que são susceptíveis de serem aferidas através da experimentação, fundamentando ou não a sua adequação e coerência explicativa. A fundamentação surge no confronto entre o decorrer das actividades experimentais, os seus resultados e os dados arqueológicos.
A arqueologia experimental é assim uma actividade constituída por um conjunto de fases analíticas que permitem reconstruir um artefacto ou fenómeno no seu devir, fundamentada na integração dos dados resultantes nos estudos de partida e de confronto, sendo que os seus dados devem ser submetidos ao mesmo processo analítico dos arqueológicos.
Em termos genéricos, uma experimentação científica pode ser definida como a execução concreta de uma sequência de acções parametrizadas, observáveis directa e indirectamente, e que podem ser replicadas monitorizando as variáveis de forma a testar e verificar uma dada hipótese ou para estabelecer relações de causa/efeito entre fenómenos. Mesmo para quem tem uma formação no campo das ciências sociais, como é o caso da maior parte dos arqueólogos, em termos metodológicos o essencial da experiência científica não é difícil de compreender, é sobretudo a sua execução que é delicada já que, na maior parte dos casos, exige uma objectividade, rigor e detalhe exaustivos. No entanto, sendo essa a base conceptual de um processo experimental a sua aplicação em Arqueologia, pela natureza dos dados e pelo processo de pesquisa de que o investigador experimentador é parte integrante e não isenta, é distinta.
Em arqueologia não podemos deixar de ser conscientes da impossibilidade de reproduzir artefactos e fenómenos exactamente como foram. Os dados arqueológicos sob os quais construímos hipótese e modelos foram sujeitos a processos de formação e alteração que não conseguimos identificar e especificar na sua totalidade. Inevitavelmente a experimentação efectuada com base nestes dados é feita em circunstâncias artificiais criadas indutivamente no presente e que são limitadas pelo difícil controlo de todas as variáveis que interferem no processo experimental. (LONGO:2001).
Outro factor não menos importante é a consciência de que as nossas motivações enquanto investigadores recorrendo à experimentação jamais serão equivalentes às motivações dos indivíduos pré-históricos no decorrer dos processos de fabricação e utilização dos artefactos. Mais, as actividades técnicas são também orientadas por factores psicomotores do indivíduo que as executa e esta constatação torna ainda mais evidente a impossibilidade de replicação exacta quando estudamos espécies que não a nossa, como o são o homo heidelbergensis ou o homo neanderthaliensis (BRACCO :1991).
No que diz respeito às indústrias líticas a experimentação é actualmente uma das abordagens que mais informação proporciona para a compreensão da variabilidade do comportamento humano através do estudo dos modos de produção e utilização dos seus artefactos em pedra que integram o nosso registo arqueológico. Permite-nos, entre outras possibilidades, melhor compreender as opções e constrangimentos na gestão das matérias-primas, a escolha e aplicação de sequências de redução e a relação destas com as actividades de subsistência desenvolvidas nos sítios arqueológicos. Dá-nos também a possibilidade de questionar os critérios convencionais da classificação tipológica (PERETTO:1994, p.151), isto é classificação sustentada na análise morfológica dos artefactos, que pode mascarar os processos técnicos e funcionais, que de forma mais aproximada definem a indústria lítica em análise e por inerência o comportamento humano a ela subjacente.
Todavia, a experimentação não surge neste processo de estudo de indústrias líticas somente como um exercício pautado por um rigoroso método objectivo e sistema documental estritamente descritivo que se aplica repetidamente (e em alguns casos acriticamente). Também é isso, mas não só, o que de forma alguma lhe retira uma suposta validade ou veracidade científica (GRIMALDI:2003).
O talhe experimental ou a utilização de suportes líticos são sobretudo uma ferramenta heurística suplementar, já que utilizada como um utensílio cognitivo e não como um modelo invariável, permite aceder a um método de leitura do material arqueológico diferente. A repetição não se faz só por uma exigência de metodológica e acumulação de dados de forma asséptica, mas também porque é provocada pelo confronto com os materiais arqueológicos que suscitam outras actividades experimentais (BOEDA: 1994, pág. 16).
Bibliografia
Boëda, E. (1994) - Le concept Levallois: variabilité des méthodes. CNRS.
Bracco, Jean-Pierre at al. (1991) - Gestes techniques et debitage experimental - elements de reflexion et potentialites de recherche dans l'etude du geste en prehistoire in Tecnologia y Cadenas Operativas, Treballs d'Arqueologia, 1, pp 163-172
GRIMALDI, S. (2003) - Riflessioni personali sullo studio sperimentale di industrie litiche del Paleolitico medio-inferiore in Archaeologie sperimentali : metodologie ed esperienze fra verifica, riproduzione, comunicazione e simulazione : atti del convegno : Comano Terme-Fiavè (Trento, Italy)
a cura di Paolo Bellintani e Luisa Moser, pp 203-208
LONGO, L. (2001) - L'Archeologia Sperimentale - proposta per una deontologia operativa, Comunicazione al III Convegno Nazionale di Archeologia Sperimentale, Villadose (Ro)
Pelegrin, J. (1991) - Aspects de démarche expérimentale en technologie lithique. In “25 Ans d’études technologiques en préhistoire”. APDCA, Juan-les-Pins
PERETTO, Carlo (1994) – Le industrie litiche del giacimento paleolitico di Isernia La Pineta, Cosmo Iannone Edittore, Isernia
S. Cura (excerto de um texto escrito para a revista de História Local Zahara, Abrantes)
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Questões sobre o quartzito...aceitam-se respostas!

Apesar de existirem excepções, e mesmo considerando a falta de pesquisas e publicações mais detalhadas, é comum dizer que a aplicação de sequências de redução pré-determinadas como o Levallois é pouco frequente em indústrias em quartzito.
É igulamente comum dizer-se que tal se deve à natureza da matéria-prima.
Será?
E em que sentido?
Porque o quartzito limita e constrange determinadas sequencias de talhe ou porque possibilita alternativas igualmente eficazes mas que são porventura tecnicamente mais simples ou porque não encaixam nas estruturas volumétricas pré-determinadas mais conhecidas?
Estas questões não nos largam ou nós não as largamos, dá igual.
Não nos querem ajudar?
Não nos querem ajudar?
O que acham?
SCura
domingo, 28 de setembro de 2008
Talhe experimental de grandes blocos de quartzito - prática I
Talhámos um bloco com 28kg e com cerca de 250mm de comprimento, 400mm de largura e 200mm de espessura.
Foi utilizado um percutor de quartzito.
Uma possível forma de imobilizar o bloco de quartzito.
Técnica de talhe:
Percussão directa atirada – o bloco de quartzito foi imobilizado numa pequena depressão escavada no solo. Pontualmente foram utilizados fragmentos de quartzito para ajudar na imobilização. O talhe foi monofacial, unipolar e unidireccional e sempre na superfície cortical do seixo. O percutor foi lançado desde a altura dos ombros ou mais alto.
Percussão directa atirada – o bloco de quartzito foi imobilizado numa pequena depressão escavada no solo. Pontualmente foram utilizados fragmentos de quartzito para ajudar na imobilização. O talhe foi monofacial, unipolar e unidireccional e sempre na superfície cortical do seixo. O percutor foi lançado desde a altura dos ombros ou mais alto.
Lasca 1
Larg. :158mm
Esp.:40mm
Comp.:120mm
Peso: 800g
Classes dimensionais dos fragmentos
21 – 60mm:1
Total:1
Larg. :158mm
Esp.:40mm
Comp.:120mm
Peso: 800g
Classes dimensionais dos fragmentos
21 – 60mm:1
Total:1
Primeira lasca remontada.
Imobilização do bloco antes do segundo levantamento
Lasca 2
Larg. :155mm
Esp.:30mm
Comp.:172mm
Peso: 1084g
Classes dimensionais dos fragmentos
1-10mm: 10
11-20mm: 8
21 – 60mm: 3
>61mm:1
Total:22
Larg. :155mm
Esp.:30mm
Comp.:172mm
Peso: 1084g
Classes dimensionais dos fragmentos
1-10mm: 10
11-20mm: 8
21 – 60mm: 3
>61mm:1
Total:22
Segunda lasca
Lasca 3
Larg. :195mm
Esp.:40mm
Comp.:125mm
Peso: 1171g
0 fragmentos
Larg. :195mm
Esp.:40mm
Comp.:125mm
Peso: 1171g
0 fragmentos
Terceira lasca
Imobilização do bloco antes do quarto levantamento
Lasca 4
Larg. :102mm
Esp.:25mm
Comp.:125mm
Peso:458g
Classes dimensionais dos fragmentos
11-20mm:5
21 – 60mm:2
>61mm:1
Total:8
Larg. :102mm
Esp.:25mm
Comp.:125mm
Peso:458g
Classes dimensionais dos fragmentos
11-20mm:5
21 – 60mm:2
>61mm:1
Total:8
Quarta lasca remontada
Lasca 5
Larg. :126mm
Esp.:25mm
Comp.:122mm
Peso:572g
Classes dimensionais dos fragmentos
11-20mm:6
21 – 60mm:2
Total:8
Subscrever:
Mensagens (Atom)