domingo, 28 de setembro de 2008

Talhe experimental de grandes blocos de quartzito - prática I

Talhámos um bloco com 28kg e com cerca de 250mm de comprimento, 400mm de largura e 200mm de espessura.

Foi utilizado um percutor de quartzito.

Uma possível forma de imobilizar o bloco de quartzito.

Técnica de talhe:
Percussão directa atirada – o bloco de quartzito foi imobilizado numa pequena depressão escavada no solo. Pontualmente foram utilizados fragmentos de quartzito para ajudar na imobilização. O talhe foi monofacial, unipolar e unidireccional e sempre na superfície cortical do seixo. O percutor foi lançado desde a altura dos ombros ou mais alto.


Lasca 1
Larg. :158mm
Esp.:40mm
Comp.:120mm
Peso: 800g
Classes dimensionais dos fragmentos
21 – 60mm:1
Total:1


Primeira lasca a ser retirada.

Primeira lasca remontada.

Imobilização do bloco antes do segundo levantamento

Lasca 2
Larg. :155mm
Esp.:30mm
Comp.:172mm
Peso: 1084g
Classes dimensionais dos fragmentos
1-10mm: 10
11-20mm: 8
21 – 60mm: 3
>61mm:1
Total:22



Segunda lasca
Imobilização do bloco antes do terceiro levantamento


Lasca 3
Larg. :195mm
Esp.:40mm
Comp.:125mm
Peso: 1171g
0 fragmentos





Terceira lasca

Imobilização do bloco antes do quarto levantamento

Lasca 4
Larg. :102mm
Esp.:25mm
Comp.:125mm
Peso:458g
Classes dimensionais dos fragmentos
11-20mm:5
21 – 60mm:2
>61mm:1
Total:8






Quarta lasca

Quarta lasca remontada

Imobilização do Bloco antes do levantamento da quinta lasca

Lasca 5
Larg. :126mm
Esp.:25mm
Comp.:122mm
Peso:572g
Classes dimensionais dos fragmentos
11-20mm:6
21 – 60mm:2
Total:8





Quinta Lasca
Quinta lasca remontada

sábado, 27 de setembro de 2008

Talhe experimental de grandes blocos de quartzito


São pelo menos 3 as questões que motivam esta experimentação:

1 - O estudo tecnológico da indústria lítica do sítio do Pleistoceno médio da Ribeira da Atalaia indica-nos um baixa presença de debris, como explicação foram por nós avançadas duas hipóteses: processos pós-deposicionais ;
as sequências de redução identificadas – talhe simples de seixos e blocos de quartzito- não produzem em abundância este tipo de resto de talhe.
A primeira hipótese tem ser verificada com o estudo geológico dos depósitos que contêm a indústria lítica. A segunda hipótese deve ser testada com a repetida reprodução experimental da referida sequência de redução;

2 – A indústria lítica deste sítio inclui núcleos e lascas de grandes dimensões, cuja sequência de redução procurámos reproduzir experimentalmente, verificando a variabilidade dos métodos aplicados e a sua relação com disponibilidade, qualidade e forma da matéria-prima, as técnicas de talhe, dimensões e morfologias dos suportes e núcleos, restos de talhe resultantes, etc.

3 - Por alguns autores estas sequências de reduções são denominadas Giant core Technologies
[1]( Goren-Inbar: 2004) para a produção de suportes para as chamadas Large cutting tools do Acheulense – Bifaces e Machados de Mão sobre lasca. Estes artefactos que até este momento não foram identificados no sítio. Em rigor também os nossos núcleos correspondem mais à catogoria Very Large, do que Giant.. As questões são: correspondem afinal estes núcleos de grandes dimensões a uma produção de suportes que foram transportados para fora do sítio? Ou a sequência de redução está inteiramente representada no sítio, tendo sido os suportes aqui utilizados?

Aqui divulgamos de forma não exaustiva e sobretudo como exemplo metodológico de uma actividade que será repetida sistematicamente, com as variantes indispensáveis, até termos um conjunto de dados passível de ser tratado estatisticamente à semelhança dos dados arqueológicos.

Exemplo de Núcleo da Ribeira da Atalaia

Exemplo de lasca da Ribeira da Atalaia

Para quem estiver interessado em aprofundar o tema aqui estão algumas sugestões de leitura:

Sharon, G., The impact of raw material on Acheulian large flake production, J. Archaeol. Sci. (2007), doi:10.1016/ j.jas.2007.09.004

Goren-Inbar, N., Sharon, G. (Eds.), Axe Age: Acheulian Tool-making from Quarry to Discard. Equinox, London,

Santonja, M., 1996. The Lower Palaeolithic in Spain: sites, raw material and occupation of the land. In: Moloney, N., Raposo, L., Santonja, M. (Eds.), Non-flint Stone Tools and the Palaeolithic Occupation of the Iberian Peninsula. BAR International Series, 649. Tempus Reparatum, Oxford, pp. 1-20.

Santonja, M., Villa, P., 2006. The Acheulian of Western Europe. In: Goren- Inbar, N., Sharon, G. (Eds.), Axe Age: Acheulian Tool-making from Quarry to Discard. Equinox, London, pp. 429-478.

Kleindienst, M.R., Keller, C.M., 1976. Towards a functional analysis of handaxes and cleavers: the evidence from Eastern Africa. Man 11 (2), pp. 176-187.

Petraglia, M., LaPorta, P., Paddayya, K., 1999. The first Acheulian quarry in India: stone tool manufacture, biface morphology, and behaviors. J. Anthropol. Res. 55, pp 39 -70.

Texier, P.-J., Roche, H., 1995. The impact of predetermination on the development of some Acheulian châıne operatoires. In: Bermudez, J. (Ed.), Paper Presented at the Conference: Human Evolution in Europe and the Atapuerca Evidence. Publication de la Junta de Castilla y, Leon, pp. 403 -420.

Madsen, B., Goren-Inbar, N., 2004. Acheulian giant core technology and beyond: an archaeological and experimental case study. Eurasian Prehist. 2 (1), pp 3-52.

[1] Core Size Categories (Madsen:2004)
Small: D <>
Medium: 8 <>
Large: 1 5 <>
Very large: 25 <>
Giant: 35 cm <>

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Clã de Carenque

No próximo dia 20 de Setembro irá decorrer na Necrópole de Carenque, entre as14h00 e as 16h30, uma nova apresentação do Clã de Carenque, com atelier decerâmica e caça, demonstrações de talhe lítico e tecelagem, entre outras actividades.
Apareça e participe!!!

Eduardo Rocha ARQA – Associação de Arqueologia e Protecção do Património da Amadora.www.arqa.ptassociacao@arqa.ptRua Mouzinho de Albuquerque, nº21-r/c Esq. DAMAIA

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Curso II - aulas práticas: esquartejamento de uma ovelha


Utilização dos suportes: esquartejamento de uma ovelha (ovis aries)
(Prática: Jedson Cerezer, Emanuela Cristiani)
Esta aula prática teve lugar no Instituto Terra e Memória em Mação. Foram utilizados suportes de quartzito e sílex de forma a observar directamente o diferente comportamento destas matérias primas. O processo de esquartejamento foi feito seguindo um método tradicional com o animal pendurado pelas patas traseiras. Deixamos aqui algumas fotos da aula, mas para os interessados no processo completo aconselhamos uma visita a http://br.youtube.com/Andakatu onde temos vídeos do esquartejamento de uma cabra com a mesma sequência e metodologia.

Preparação dos suportes e fichas de registo

Registo fotográfico (geral, devem ser feitas fotos de alta resolução das possíveis margens funcionais) de um do suportes antes da utilização.

Montagem da alavanca que eleva o animal
Jedson Cerezer efectuando o esquartejamento e fazendo explicações

Os participantes em acção durante a remoção da pele - Joana Carrondo e Leandro Infantini


O Pedro Peça efectuando as desarticulações finais


A visão final (mais saborosa) da experimentação!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Curso II - aulas práticas: talhe

Uma das componentes mais relevantes deste curso foi o talhe experimental, já que sem saber produzir os suportes dificilmente se passa à fase da sua utilização e análise funcional. Tendo sempre presente que todas as actividades experimentais não são mera reprodução de peças ou actividades, mas antes um método complementar de estudo e interpretação em arqueologia pré-histórica.
Foram três as aulas de experimentação de talhe, a primeira foi teórico-prática e as restantes aulas foram inteiramente práticas.
Princípios básicos do talhe (Pedro Cura;Sara Cura;Stefano Grimaldi)


Parâmetros fisícos do talhe (ângulos, convexidades, percutores, etc...)

Nesta aula distribuímos as fichas que utilizamos para o registo sistemático do talhe experimental:

Talhe


Percutores





Primeira prática: Pedro Cura a talhar, à esquerda o Pedro Peça, atrás o Leandro Infantini, Joana Carrondo e o João Tavares.

Debitagem pré-determinada e formatação I (Stefano Grimaldi e Pedro Cura)

Da esquerda para a direita: Stefano Grimaldi em explicação, Hugo Gomes, Joana Carrondo, Marco Trettel e Leandro Infantini em acção.

Debitagem pré-determinada e formatação II (Stefano Grimaldi e Pedro Cura)

Esta aula prática foi dada em Mação, no Instituto Terra e Memória, onde decorrem a maior parte das nossas experimentações. Neste dia também esquartejámos uma ovelha, mas isso mostramos amanhã.